da pilosidade
Jorge Castro

há que tratar a pelagem que é bem mais do que agasalho
de peito feito e coragem ou ar de arrebimb’ò malho

que o pêlo é um madrigal faz verdura dá consolo
faz do corpo matagal onde quem se perde é tolo

tudo no corpo apetece mas o pêlo sinaliza
onde no corpo acontece ser a fúria mais acesa

sovaco púbis ou ânus peitaça orelhas nariz
sempre um pelito mostramos onde o corpo é mais feliz

e no grelo ouriçado como num pénis em riste
fácil é o constatado que ali sempre o pêlo existe

dizer o quê do desvelo após embate de amor
sentir púbico cabelo de um dente nosso em redor?

tão certo sou desse pêlo que se não falha o bom sizo
é por termos o cabelo que nos fodem o juízo

e de bom grado vos deixo para o amor o meu conselho
que sempre se apoie o queixo lá onde cresce o pintelho

PEDRO LARANJEIRA