PÁTIO INTERIOR
Jorge Casimiro

pátio interior
liberdade aprisionada
és meu companheiro de jornada
                                          quieta
como esta caixa sem tampa
                                que te tapa
e nos prende nesta liberdade
                                   aprisionada

anda!
dá-me a tua mão
subamos aos andaimes de aço
que sustentam as rédeas
deste cimento armado
e giremos
girândolas
girassóis
gesticulações de gestos
                      desorgulhados p'la força centrífuga
e vivamos sonhos sem argamassa pegajosa
e não falemos de quaisquer coisas
já reflectidamente pensadas
à mesa redonda de um qualquer café sem esplanada
e subamos com amor
aos sóis de lata pintada
dos pubs de manhattan

verás...
faremos bela figura
todos os basbaques nos invejarão
todos os curiosos apanharão torcicolos
e nós far-lhes-emos caretas
tocaremos cornetim no nariz
escadalizaremos todos os convencionalistas
riscaremos 'ss' simples
nas carecas coçadas dos intelectuais
e daremos marretadas
nas carecas pintadas dos pseudo-intelectuais

nos críticos de queque e bica...
passaremos simplesmente um x

aos fazedores de guerras
galardoá-los-emos com coroas de arame-farpado
e brindaremos à morte dos campos de concentração

e diremos
bem alto
que esta sociedade é para rir
e poremos bem em destaque a comicidade da questão

e verás...
veremos penedos rebolarem-se de mãos na barriga
e engasgar-se o fuji-yama

e nós...
não nos riremos
em nome da humanidade
e continuaremos vogando em nossas bolas de sabão
gozando nossa inteira liberdade!

PEDRO LARANJEIRA