Pois ele cá está: o Salão Internacional Erótico de Lisboa! Pela segunda vez.
A esta hora, depois do primeiro dia com tudo a funcionar e milhares de visitantes, já decerto algumas vozes se calaram...
Eu tinha razão!
Os portugueses são um povo tolerante, moderno e aberto a novas ideias!
Isso ficou hoje provado ao longo de uma tarde e uma noite em que gentes de todas as origens, condições sociais, bagagem de conhecimentos, crenças religiosas, preferências políticas e hábitos familiares se passearam por entre um banho de ausências de tabus, com mulheres nuas, homens-quase, sexo explícito em dezenas de ecrans, artigos para todos os mais variados fins, conceitos novos de muitas e diferentes formas de prazer... sem um pestanejar de constrangimento, sem um esgar de repúdio, sem um desviar de olhos por vergonha!
Os portugueses são um povo tolerante, moderno e aberto a novas ideias!
Mas esta é a frase social para descrever o fenómeno, não a humana - para o que a sociedade nos tem habituado, estas são ideias novas e modernas... mas não são! Estão arreigadas ao mais profundo da natureza humana!
As duas principais características de qualquer entidade anímica (portanto de todos os animais) são o instinto de convervação - que nos leva a defender a vida - e o de continuação da espécie, que nos leva a reproduzir.
Para que nunca deixemos de o fazer, no caso humano, a natureza dotou-nos de características extraordinárias:
Um sistema endócrino capaz de nos injectar instantaneamente doses impressionantes de epinefrina que nos permite ultrapassar as forças que jamais teríamos sonhado possuir, quando algo nos ameaça a vida - como toda a gente sabe - e uma motivação superior a qualquer estímulo conhecido para que nos apeteça reproduzir.
Essa motivação é o prazer. Reprodução é um acto sexual, portanto a natureza deu-nos prazer para que desejemos sexo!
Então como é que ter tusa pode ser considerado errado? Que existe de mais normal na vida humana? De mais natural?
Como é que um país que faz feiras de vinhos pode achar polémico fazer feiras de sexo?...
Duma coisa tenho a certeza: há mais gente a fazer sexo que a beber vinho...
Mas a verdade é que o povo não acha isso polémico! Há é por aí umas vozes que, agora que não existe censura para esconder verdades, tentam fazê-las passar mentidas e deturpadas... só isso!
É o caso da afirmação publicada pelo Diário de Notícias de que a programação do salão reflecte mais uma vez a procura de um público essencialmente masculino - o que contraria toda a extensa documentação fornecida à Comunicação Social e que aponta para uma heterogeneidade que eu próprio verifiquei verdadeira no primeiro dia passado no Salão.
Portanto, tudo correu bem!
Com simpatia e simplicidade - de toda a gente para toda a gente - com humor e naturalidade, como se esperava: de um modo normal!
Havia brinquedos para todos os gostos, todas as saliências e todas as reentrâncias... e milhares de pessoas de volta deles, essa é que é a verdade... e já agora uma coisa que saltou aos olhos de toda a gente: a esmagadora maioria das pessoas interessadas - e compradoras - foi de mulheres. Pois! Os homens faziam-lhes companhia, mas "dois em três" eram elas que escolhiam!
Vi casais, com a maior naturalidade, consultar as embalagens (ou os empregados), sobre afrodisíacos, vibradores vaginais, vibradores de massagem e vibradores anais - e conversar sobre isso, sem baixar a voz...
Vi pessoas rirem, mas não escarnecerem! Vi esposas tirarem fotos a homens com meninas vedetas e esposos tirarem fotografias a senhoras com os super-machos que por lá andavam!
Claro que haverá muito quem diga que não tem piada nenhuma... mas a verdade é que não é da nossa conta! Eles é que sabem que recordações lhes dá gozo mostrar aos netos daqui a vinte ou quarenta anos, ou seja lá qual for a razão!...
Mas foi muita fruta pra um artigo só e já estou farto de me acusarem de falar de mais, principalmente por ser verdade, de modo que depois conto mais tricas (que já tenho muitas e boas), passo-vos as entrevistas, que também aprendi umas coisas e mostro-vos a desbragadice das fotos do meu amigo João Albuquerque, que esta noite deve ter dormido com os olhos cheios de mamas e conas... mas não faz mal, que a Isabelinha já o conhece bem e sabe que ele é bom rapaz!... É só aquele fulgorzinho que a juventude do cabelo branco traz... disso também eu percebo!
Conto-vos, para terminar, que vi um casalinho apaixonado, não mais de vinte anos, a descansar as pernas de tanta caminhada e, como não se beijavam com as pernas, podiam fazer o dois em um de tal maneira que nem me viram aproximar, mas sorriram logo os dois para o meu gravador e responderam com grande entusiasmo às minhas perguntas, expressando com alegria como estavam felizes por viver num mundo em que tudo isto era finalmente encarado com a naturalidade com que eles também falavam um com o outro, sem segredos, quer de medos quer de fantasias...
Ora toma! Temos juventude!