palavras poucas,
          serenas,
    em ritmo
  de pensamento,
ao assunto
     mais
  belo
   que há
no mundo...

Ela vive, respira, sorri e segue... no caminho cujo fim não se adivinha, talvez por não se saber, talvez por ninguém querer! Mas segue - que é essa a função eternamente sublime de ser a definição de todas as coisas, enquanto houver uma sombra sem terra negra por cima ... e após haver uma sombra com terra negra por cima!

Ela ouve os segredos sem som na carne do Universo e canta a fonte da Vida ... e bebe a imensidão dos abismos... e cala a percepção das palavras adultas, para sorrir a maré na boca das crianças... e dá... e recebe a dádiva... e oferece a aceitação !

Ela respira o orvalho de pétalas viçosas, nem que seja cruel a presença do espinho !...

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... e o que ele diz, na rudeza de uma palavra declamada? ... Quem o deifica ? ... E o que ele traça, analítico linear da atomização de tudo... quem o transfigura de forma-escrita em poema-emoção?... Quem sabe receber essas fugazes folhas dispersas ao vento, que o vento empurra e destrói - odes, talvez, mas falsas de amor, a um dia que nunca vem - quem lê, nem que tenha que ler na polpa de Braïlle ?...

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Ela - ela, a eterna dançarina do efémero dum Vinícius, que já de luso e universal classicismo dói e não se sente ! ... Ela, a eternamente não-dimensionada, dos cabelos longos ou negros, crespos ou ruivos, curtos ou lisos!

Ela, o poema infinito da sua nudez sublime que se perpetua adentro qualquer roupa, com qualquer forma e quaisquer palavras ... por quaisquer palavras!

Ela, a desenhadora de visões que obriga à existência de páginas bidimensionadas que jornais dão de si, ou de moda, ou por novidade fútil no segundo prato da refeição material de cada Ele linear ... Ela é quem Faz, Ela é quem Gera ... Ela é quem É ! ...

Ela, a própria capacidade espiritual definível de encarnação em essência Mónada, etopeia do inconfessável, a quem se dá o que se tem, porque só assim se tem, na reciprocidade do Mútuo ...

Ela, razão da reprodução, semi-razão da Vida, é Grande, é Bela, é Real, é Importante...

porque ela é Amor ... é MULHER !

Pedro Laranjeira ©