ETERNAMENTE
(à Barbara Skolimowska)

Carregas p'la vida fora
um saco cheio de nada
lançado por sobre o ombro...
Carregas p'la vida fora
um monte velho de trapos
cobertores de pele sensível...
Carregas p'la vida fora
um par sujo de sapatos
tangentes da massa alheia...
Carregas p'la vida fora
infinitos computados
'scondidos sob o cabelo...
Carregas p'la vida fora
um companheiro a teu lado
p'ra vê-lo morrer um dia!
E porque já és crescida
carregas sem que o suspeites
(na própria razão de ser
que te define existente)
a ciência armazenada
por quatriliões de mortos,
equacionável a nada,
divisível por si mesma
e desmontável na fé,
que ensina coisa nenhuma,
torna o passado amovível,
faz o presente parado
e o futuro impossível !
(Se um dia suicidares
a incongruência de ser,
procura na dor final
o orgasmo de nascer :
... a vida será igual
e voltar-me-ás a ter!) ...