NÃO SONHES    
(ao António Carlos Chaínho)    

Não sonhes, que sonhar faz mal
Não beijes, que depois queres mais...
              Mas não digas que eu não dei aval
              ...à pior das coisas imorais!...

   Bebe a solidão eterna de segredos confessados
   com a mão aberta de perigar sentidos
   ...vem-te para dentro da natureza escusa
   de saberes que eu sei... e tu também!
        Mónada astral que guardamos ambos
        em silêncios incontáveis, entendidos
        ...mas que se calam por que hajam bem
        o patrão, a mulher e o fiscal...
                (Banqueiros de Moral!)
        e lá vamos, rua fora, (es)gravatados
        retorcidos, recatados,
        enrabados de civismo
            (dar uma de autoclismo
              fingimento, sofrimento)
   Haja Deus, que fazemos reviver,
   prosperar, sobre-cá'star,
   a sócio-iedade ancestral do caralho dos avós
        sem que nenhum, mas sem mesmo que nenhum
                            filho da puta se canse -
                                    - ...honni soit qui mal y pense!

   E sonhamos irmanados erotismos (Catecismos)
   das mais secretas escondidas emoções (sensações)
   de se ser bi-muita-coisa que é pecado (confessado)
   andro-poli vivente de atavismos ancestrais
   mono-duo-multi coiso bem aberto
   inteiramente desperto
       ...que quer mais, que quer mais e que quer mais!...

Canta a verdade toda dessa tua natureza!
Desabrocha a flor perene da nossa impura pureza...

Dá-me a tua mão.

   Não vives sozinho, irmão!...