SEXO        

Afagar-te os seios, lentamente,
em carícias firmes de suave excitação...
meter-te os dedos no cabelo
e deixar a polpa deslizar sedosamente
até deitares para trás a cabeça,
frouxamente,
num arfar silencioso do emoção!...
Deixar aos poucos a mão escorregar
p'ra que o arrepio fibroso do ouvido,
em ternura transforme o apalpar do teu pescoço...
Pousar então, de mansinho, a minha boca
na flor entreaberta dos teus lábios
e beber a seiva do teu vibrar sereno
enquanto o teu corpo entra nos meus braços!...
Sem um leve tremor, com lentidão,
fazer cair dos teus ombros a blusa
e num estalido seco, quase imperceptível,
abrir-te o soutien para que a luz a volta
possa gozar a ternura dos teus seios...
Ajudar-te na reciprocidade da atitude,
...olhos fechados corpo em liberdade,
até que a minha nudez possa te mostrar
a observância atenta do cair da tua saia
e dar-te a mensagem da total eloquência
do vislumbre triangular que vai me receber!
Deixar as mãos frementes percorrer
a pele rosada e suave de teu corpo,
numa carícia terna de bebé
que te faça vibrar o cordão umbilical!...
Deixar então pousar a boca, de mansinho,
nos botões rosados, frementes dos teus seios!
Beijar-te a boca, de novo, as mãos, os antebraços,
o pescoço e os ombros, as costas, a cabeça...
deixar em revoada que os meus lábios
pousem nos teus seios,
entrem pelo teu cabelo!
Deslizar a cabeça... vagamente...
pelo ventre em fogo que já quase não dominas...
acariciar-te as pernas, ao de leve...
e passando a boca morna no cetim da tua pele,
depositar um beijo longo no fogo ardente do centro do teu corpo...

Possuir-te então,
penetrar a gruta louca
que se fecha quente à minha volta!
Vibrar contigo na dança primitiva
de te dar o ritmo da paz
da dança guerreira mais velha que há no Mundo!...
Fazer-te gritar, gemer, saltar,
dizer que me amas
e beijar o silêncio que te imponho...
Fazer-te vibrar horas seguidas,
numa exploração metódica
das tuas cavidades acordadas!...
Fazer-te ser mulher sem restrições,
num paroxismo atordoante de paixão!
Deixar-te enlouquecer cada vez mais,
juntar progressiva ebulição
ao ferver dessa noite
virgem de paralelo!
Ensinar-te tudo quanto sei...
fazer corar de vergonha e estupidez
a essência incompleta de qualquer Kama Sutra...
ultrapassar velozmente os tratados e experiências
do mais maduro humano que, tenha um dia amado!...
Fazer-te rir, chorar, vibrar, calar,
gritar, perder quase a razão,
arfar num êxtase supremo de mortal
até à loucura, à perdição...

E então,
roubar-te num sacão brutal
a explosão final!
Fazer-te parar.
Dominar-te!
Impor-te o choque atroz
de ficar assim!
Saltar de repente para longe do teu corpo nu
e deixar-te!
Vestir, sair, em menos de um minuto,
contigo ainda a vibrar ao ritmo que eu criei,
mas guardar em mim
a seiva que já tanta vez te dei e não mereces
e deixar-te a tua que não quero!

É só isto que terei para te dar
se algum dia vieres me procurar!...
Por isso,
Esquece...
Não procures!