UM GRITO QUE NÃO SE OUVE    

Esvoaçam asas negras
daqueles que de mim decidem
...e eu tremo, na solidão.
São negras as asas frias
dos que sobre mim imperam.
São fortes, porque são muitos,
mas os crueis são já velhos
...os outros... calam e seguem!
Fazem sangrias na noite,
chupam o sangue dos tenros
e pairam, negros... alados,
sobre aqueles a quem perseguem...
Eles vão matando, calados,
pela mão dos meus irmãos,
que gritam... mas não se ouvem!...

Apenas o silêncio desfraldado
em nome de cada um,
traz a mensagem futura
do sítio que lhes compete,
que merecem e vão ter:
o estrume - a vala comum!...
A paz da morte de um cão
um cancro que apodreceu!