Alenquer, velha memória
onde a nobreza bebia
deste alimentos à História
que o Destino te sabia
Afonso tirou-te aos mouros
há muitas centenas de anos
pra poderes tecer tesouros
que fossem só lusitanos
e vestiste desde então
a honra da tua parte
nasceu em ti Damião
nasceu em ti D. Duarte
sonhou-te talvez Camões
em terras do oriente
quem sabe se por razões
do seu próprio sol nascente
e sempre nessa centelha
que à lenda eterna te irmana
fizeste a Quitéria velha
e os touros da Merceana
envolveste sempre em tudo
um sonho luz de quimera
da Quinta do Ferragudo
ao futuro que te espera...
e no encanto que enleia
teu ventre fértil de mãe
Alenquer, és europeia,
mas portuguesa também
Faz-te, portanto, ao destino
que o teu povo mais te quer
dá vida ao sopro divino
de seres tu própria, Alenquer!