O MEU MILÉSIMO SENTIDO    

                         

Vivo por viver… como, não sei!
Arrasta vida no corpo a sua dor
de ser ímpar e virgem de saudade...
Se no só me canto, introspectivo,
sou cativo da própria liberdade...
Pudesse ao menos viver recordação
do já feito ou dito, ou tido ou dado,
pudesse eu lembrar venturas deslumbrantes
que vivi no meio do desgosto, embora...
Pudesse tirar cor do meu passado
e emprestar-lhe osmose no agora!...
Pudesse sofrer e calar, como era dantes
nem que fosse só por alegria sofrida...
Teria a paz doce da sábia eternidade,
a força rubra que mantém unida
a coesão passada deste ego já voraz!
Ah, tenho fome!

Mas quero sugar um prana reperdido
que se morra na hora em que eu o vir!
... Não alimente o mundo a ânsia de roubar
o calor alheio que vejo sem tocar...
e tenho por vezes sem sentir...