O ÚLTIMO ADEUS DO MEU AMOR    

No agora eterno que vive dentro em mim,
em que a chama da vela se apagou,
serenamente eu creio, ainda assim,
que ela nem de todo para sempre nos deixou!
Partiu, quem sabe se talvez
a sonhar, feliz, com a boca pequenina
que jamais saberá dizer mamã...
ou então com aquela cabecinha
cujo loiro entrançava de manhã...
ou ainda, quem sabe, com a mãe
que do berço à vida lhe faltou!
Partiu, sonhando, calma, p'ró Além,
com a mão amiga que a vida lhe negou
e que só depois de já perdida
pousou na sua fronte e lh'afagou...
Não partiu a mal pressagiar
quem quer que a tratara mal,
não se ouviu, jamais, blasfemar
da sorte cruel e infernal
que a deixou viver assim, tão triste, só,
abandonada
ao destino de ser desirmanada
daqueles a que em vida amou!
Que ternura, no sorrir sereno
que guardou p'ró derradeiro adeus...
p'ró longo, firme e confiante adeus
que nos quis dizer: “Parti em Paz!...
E em Paz partiu a mão amiga
que por trinta anos se negou,
sobre os olhos já fechados, Margarida,
finalmente repousou!...
E nos olhos que no dia do teu fim
te mostraram a forma dessa mão,
contigo à cova baixou,
dentro do teu caixão!...