NA NOITE, EU PENSO EM TI...    
(para a Milly Barreiros)    

Na psicologia introspectiva do teu ser,
crês no mundo qual uma criança...
vives radicada na esperança
de que ele seja aquilo que tu o julgas ser

Sofres!
Sim, eu sei o quanto a tua alma sofre
na constante inconstância do viver
que vives, sem saber os porquês que gostavas de alcançar...
Choras!
Também sei quantos rios já correram
no vale imaculado dessa face de criança!...
Calotes polares que derreteram,
tornadas fogo ardente de paixão
por aquilo que não tens e julgas ter,
ou pelo todo que tens e julgas procurar
… e que depois de novo se tornaram
gelo duro, pedra tumular,
no teu pequenino coração que tu julgas não bater!

Oh, criança, bela de ternura!...
... como és pura
quando passas, a 'screver,
noites inteiras de vigília, em sobressalto...
Pensas tanto que não deves já saber
a maneira exacta de pensar...
Sei quem és, amiga...
por te conhecer,
renuncio à crença de ser bom,
mas tenho pena que por boa
tu vivas assim tão infeliz...
"Passas sem me ver… o Destino o quis..."
(escreveste esta frase para mim)
Oh, não, Amiga, como julgas que passar
por ti, podia, sem te ver?...
... que cruzámos nossos passos
numa esquina da cidade
e nem pr'a ti olhei...
e nem te vi passar?...
Sim, teria passado sem te ver,
concordo;
mas como podes tu saber
a razão de nem pr'a ti olhar...
Sabes que podia ir distraído,
como tu introvertido,
...talvez em ti a pensar?...

Tu choras esse teu triste lamento,
a grande dor,
a mágoa intensa… o sofrimento...
… e chamas a isso amor!
Mas na tua pureza de criança
tu não sabes ainda o que é amar...
tu não sabes mesmo o que é viver!...
E viver é menos do que amar,
pois que amar é menos que sofrer...
... ou talvez que amar seja sofrer,
mas sentir...
e calar!...
..."É ter imenso para dar...
  e como dar… não saber!..."