PÁGINA DE IMPRENSA DE PEDRO LARANJEIRA 28 dezembro 2007

  JOAQUIM JORGE

      Fundador do Clube dos Pensadores

entrevistado por   Pedro Laranjeira

Com um formato único na sociedade portuguesa e uma filosofia muito própria, o Cube dos Pensadores desdobra-se perante o público através de debates com a intervenção livre de quantos desejam comparecer e participar, um blog de grande movimento, um programa de rádio e outro num canal de televisão por cabo.

Fundado por Joaquim Jorge, existe desde janeiro de 2006 e realizou já quatro ciclos de debates, com o quinto em curso até julho deste ano.

Ali estiveram, entre outros, Vicente Jorge Silva, Luís Filipe Menezes, Narciso Miranda, Manuel Carvalho, Manuel Alegre, Manuel Monteiro, Diogo Feio, João Teixeira Lopes, Paulo Morais, José Leite Pereira, José Marquitos, Manuel Maria Carrilho, Pedro Santana Lopes, Álvaro Castello-Branco, Marco António, Rui Sá, Manuel Serrão, Garcia Pereira, Hermínio Loureiro, Ana Gomes, Maria Teresa Goulão, Francisco Ferreira, Paulo Portas, José Manuel Fernandes, José Leite Pereira e Marco António Costa. Estão ainda na agenda do Clube nomes como Carvalho da Silva, Francisco Louçã e, à semelhança de Manuel Alegre e Narciso Miranda, que foram "repetentes", também Pedro Santana Lopes voltará, bem como Luís Filipe Menezes, que encerra o Ciclo a 7 de julho.

Em conversa com o fundador, Joaquim Jorge revelou alguns pormenores sobre a iniciativa.

PL - Como surgiu a ideia do Clube dos Pensadores?

JJ - Surgiu porque eu acho que as pessoas têm que se "incomodar", não podem estar inertes!

PL - Mas é sua ideia "o exercício do pensamento", ou "agitar o pensamento"?

JJ - No fundo, se quer que lhe diga, até podem chamar-me provocador. Sou contra o "establishement", não sou um óvni, mas gosto de ser como um cometa, que é um astro que de vez em quando aparece mas deixa rasto! Eu comecei com isto porque quis intervir e esta foi a maneira que encontrei para o fazer. No Partido não tinha hipótese, é tropa… e se conseguisse juntar pessoas com peso, o que fosse dito teria eco.

Há uma coisa que eu faço que acho que é fantástica: aproximo os cidadãos dos políticos. Humanizo a política, porque as pessoas acham que a política é suja, eu não acho!

PL - Os seus debates são virados essencialmente para a política?...

JJ - Não, não é verdade! Tivemos, por exemplo, debates sobre jornalismo: primeiro, "A Comunicação Social e os Políticos", porque eu nunca percebi muito bem essa relação: os jornalistas querem ser políticos, os políticos querem ser jornalistas… a seguir tive um debate fantástico, "Responsabilidade, Censura e Jornalismo".

Depois, "A Televisão versus Jornais", porque eu também me preocupo com o jornalismo isento, e percebi que a publicidade está a passar toda para a televisão…. então como é que vivem os jornais? Finalmente tive este último debate, sobre o futuro do jornalismo. Além disso tive futebol, tive ambiente… a verdade é que assiste aos debates uma média de cento e cinquenta pessoas!

Eu não convido políticos, convido pessoas, pessoas de quem gosto. Até já convidei uma pessoa que nem estava na política e depois de vir ao Clube reapareceu na política: Pedro Santana Lopes. Convido pessoas de quem gosto, como o Manuel Alegre, por exemplo. Já cá tive o Luís Filipe Menezes, o Paulo Portas...

PL - O Joaquim Jorge é militante do Partido Socialista?...

JJ - Ainda sou! Olhe, devo-o ao Manuel Alegre. Se não saí ainda do PS deve-se a ele!

PL - Mas tem convidado pessoas de outros partidos e até outras correntes ideológicas, como é o caso de Filipe Menezes ou Garcia Pereira...

JJ - São pessoas de quem eu gosto!

PL - Portanto, tanto convida um democrata cristão como um marxista-leninista...

JJ - Quando se consegue abrir a mente a campos diferentes, isso é extremamente positivo! Eu acho que estar amarrado a um partido é redutor! Debates há muitos, esta é uma ideia nova. Não traço objectivos, vou fazendo. Sabe, ideias brilhantes toda a gente tem, o problema é pô-las em prática e mantê-las…

PL - Já pensou em alargar o espaço do Clube ao resto do país, ir a Coimbra, Lisboa, Algarve?

JJ - Sim, claro, vou a Coimbra em breve e quero ir a Lisboa, mas com cabeça tronco e membros...

PL - Que é que isso quer dizer?

JJ - Que as coisas têm que ser bem feitas, eu estou a trezentos quilómetros de distância. Mas quero ir a Lisboa, no próximo Ciclo. Até gostava de ir à Madeira… Mas veja que a logística não é fácil, eu moro em Gaia e tenho a minha vida aqui. Eu faço isto por gosto!

PL - Quanto tempo da sua vida gasta com o Clube?

JJ - Quando as coisas dão prazer nunca se gasta tempo!

PL - Qual é o papel do blog, como é que o conjuga com os debates?

JJ - È mais uma forma de abrir o Clube à Sociedade Civil. Teve um êxito estrondoso com o referendo sobre o aborto, com opiniões de todas as correntes, tanto do "sim" como do "não". O blog tem visibilidade, o enriquecedor de um blog é poder ser participado tanto passivamente como activamente. Tem sido um bom apoio para os debates, porque não os há sempre, só uma vez por mês.

PL - Vai manter o formato do Clube, ou tem alguma ideia nova na manga?

JJ - Tenho um programa na Rádio, outro na televisão, por exemplo. Tudo o que contribua para difundir o Clube ao maior número de pessoas é positivo. O que eu faço, no fundo, é um lobby de pensamento!

PL - Nunca pensou em expandir a iniciativa para um órgão de imprensa escrita?

JJ - Eu não posso fazer tudo! O céu é o meu limite, mas faço as coisas passo a passo, nunca dou passos maiores que as minhas pernas… Também gostava de trazer cá o Nelson Madela, gostaria de trazer pessoas estrangeiras, também, internacionalizar isto. Mas faço o que posso, e se eu não fizer ninguém mais faz! Todos falam

muito mas ninguém faz nada, percebe?

PL - Os seus convidados, gostam do Clube?

JJ - Gostam muito mais que a própria plateia! A plateia vai ali por razões definidas e se o convidado for de direita, quem é de esquerda não vai… eu acho isso surreal! Mas há também quem vá a todos e goste, isso é que é importante!

PL - Uma mensagem final para os leitores...

JJ - Gostava de ter em Portugal políticos que eduquem pelos olhos e não pelos ouvidos, aquilo a que eu chamo políticos a trezentos e sessenta graus, ou seja: que construam pontes em vez de paredes, que sejam criativos e integradores e ofereçam aos cidadãos o que eles desejam. No futuro, a um líder não basta carisma, tem que ter substância!

Este Clube não é um "movimento", não se centra num tema único, é muito mais do que isso, discute tudo, eu posso ali trazer tudo, todos os temas.

Acho que tenho feito com que as pessoas pensem! Esta sociedade é apática, com uma resignação que tudo aceita… Sou contra isso!   Acho que a Informação é Poder e procuro utilizar o pensamento como arma!


© PEDRO LARANJEIRA
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