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Ao longo dos anos, conheci guerrilheiros africanos, asiáticos e europeus, de muitas cores ideológicas e diferentes causas. Aprendi a distância entre coragem e cobardia, compreendi a militância que pode ir do fanatismo à estratégia de intervenção, percebi a diferença entre terrorismo e luta pela liberdade.
O meu entrevistado, porém, não se encaixa nos modelos tradicionais.
Luiz Araújo é um produto do activismo moderno, da sociedade de informação, em luta contra forças que mudaram pouco ao longo da história recente, mas firme na esperança de que a globalidade das tecnologias de comunicação faça hoje alguma diferença.
Pareceu-me um homem corajoso, no entanto não pega em armas. Avança fiel a um lema que pode traduzir-se pela expressão umbundu "ONDAKA USONGO", que significa "a palavra é flecha". É essa a sua militância.
Culto e muito atento, surpreendeu-me por dizer apenas parte do que sabe. Limita a sua intervenção a planos urdidos segundo uma óptica que justifica pela eficácia possível de cada acção, em cada momento, em cada lugar.
Revela muito sobre algumas coisas, mas cala-se quanto a outras, se interrogado sobre questões que a opinião pública gostaria de esclarecer. Diz que "não é chegado o momento", que a verdade surgirá em tempo devido.
Forneceu-me a documentação fotográfica que acompanha a entrevista, mas colocou no futuro a promessa de provas sobre algumas das mais pungentes alegações que, por falta delas a imprensa não comenta, embora façam dúvidas que se trocam por aí em conversas de quem se interessa por Angola.
Fiquei com a sensação de que, mesmo sem medo físico, Luiz Araújo receia que a voz lhe seja calada se correr demasiado depressa...
Foi a entrevista possível, em que usou a "ondaka" como lhe pareceu oportuno, para que não lhe firam o efeito "usongo" que promove dentro e fora da sua terra.
Pedro Laranjeira
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