PÁGINA DE IMPRENSA DE PEDRO LARANJEIRA 21 julho 2007

AGA KHAN

50 ANOS COMO LÍDER ESPIRITUAL

DA FACE TOLERANTE DO iSLÃO

365 dias de comemorações passam por Portugal

O Príncipe Karim al-Hussayni é líder da Comunidade Muçulmana Ismaili, um ramo Shia do Islão, desde 11 de julho de 1957, com o título de Aga Khan IV, o 49º Imam.

É Cavaleiro do Império Britânico (KBE), Ordem do Canadá (CC) e Ordem de Cristo (GCC, Portugal).

Tem o título de "Sua Alteza" conferido pela coroa britânica e inúmeras honras e condecorações, algumas as maiores dos países em questão.

Nas suas visitas ao nosso país é recebido com honras de Chefe de Estado.

por Pedro Laranjeira

Como líder espiritual de uma comunidade de 15 milhões de muçulmanos espalhados por 25 países, entre os quais Portugal, onde vivem cerca de oito mil, tem dedicado a sua vida a trabalho humanitário, nas áreas da saúde, alfabetização, desenvolvimento rural e cultural, educação, habitação, micro-financiamento, agricultura, auxílio a populações carenciadas ou vítimas de catástrofes, entre muitas outras iniciativas e actividades.

Comemora-se agora o Jubileu dos 50 anos de Aga Khan à frente da Comunidade, celebrações que vão estender-se por 365 dias em todo o mundo. Durante as celebrações, espera-se a visita do Príncipe a todos os países onde existe a Comunidade, entre os quais Portugal, que tem em Lisboa um dos três maiores Centros Ismalilis no Mundo (Londres, Vancouver e Lisboa). O Príncipe já esteve no nosso país, precisamente para o lançamento da primeira pedra do Centro, em 1996, e dois anos depois para a sua inauguração. Tem uma relação de amizade com um português ilustre, o ex-presidente Jorge Sampaio, e é Doutor Honoris Causa pela Universidade de Évora.

Portugal e o Canadá são os países no mundo com quem o Imamat Ismaili mantém relações mais próximas.

Em 19 de dezembro de 2005, assinou com José Sócrates e Freitas do Amaral um protocolo de cooperação para acções de desenvolvimento em Portugal e países de língua portuguesa em África e Ásia.

Dirige a Agência Aga Khan para o Desenvolvimento (Aga Khan Development Network, AKDN), a que pertence a Fundação Aga Khan, uma agência privada de desenvolvimento internacional, vocacionada para o apoio às comunidades carenciadas, independentemente da sua religião, raça, etnia ou língua.

A AKDN é constituída por pessoas de todas as origens, nomeadas por competências, pertençam ou não à Comunidade Islâmica.

A Agência detém uma vasta cadeia de negócios em todo o mundo, que inclui hotéis, cavalos puro-sangue, bancos e actividades em diversas áreas, cujos lucros financeiros são aplicados em acções humanitárias, principalmente vocacionadas para os problemas de pobreza e exclusão social, desenvolvimento rural, educação, intervenção em situações de desastre, saúde, promoção da iniciativa no sector privado, revitalização de cidades históricas, hospitais, universidades, habitação social, micro-crédito e promoção da paz.

Todos os projectos, onde quer que sejam implementados, utilizam mão de obra local, fornecendo a Agência apenas os recursos necessários, planeamento e orientação.

À semelhança do que sucedeu durante as cerimónias de comemoração dos 25 anos do Imamat Ismaili, o Jubileu dos 50 anos vai servir para o lançamento de inúmeras iniciativas através das várias agências da rede AKDN, algumas das quais em Portugal, onde se prevê a instalação de uma Academia de Excelência, destinada a alunos carenciados, prevista para a zona de Lisboa mas que poderá acolher estudantes de todo o país, em regime de internato. A Fundação financiou já uma para Moçambique, com 1.400 alunos.

Também em Moçambique, a Fundação está envolvida num gigantesco projecto direccionado para as áreas de educação, saúde, agricultura, pescas e micro-finança, no Distrito de Cabo Delgado, envolvendo mais de 110.000 pessoas distribuídas por 150 aldeias.

A "Focus Assistência Humanitária", outra das subsidiárias da AKDN, foi quem prestou auxílio às vítimas dos grandes incêndios no Alentejo, do terramoto de 1998 nos Açores e das recentes cheias em Moçambique.

A AKDN construiu o maior Hospital do Paquistão, em Karachi, bem como uma Universidade que tem produzido grandes valores para a ciência internacional. Em Portugal, participa nas iniciativas de desenvolvimento da alta de Lisboa, particularmente no projecto "K'Cidade".

Entre milhares de projectos, são investidas algumas centenas de milhões de euros anualmente, através de mais de 200 instituições, incluindo 9 hospitais e mais de 300 escolas por todo o mundo.

Líder moderno, perfeitamente integrado na "Sociedade do Conhecimento", Aga Khan assume-se como uma ponte entre sunitas e shiitas ou entre o mundo islâmico e o ocidente.

Invoca "a especial diversidade da comunidade ismaelita como um contributo para maior aproximação entre países, civilizações e religiões, numa época conturbada e muito marcada pela violência e pelos atentados perpetrados pelos radicais islamitas, de que os primeiros afectados são, muitas vezes, os próprios muçulmanos".

Este ramo do Islão é considerado como a sua face de tolerância, principalmente pelo respeito que mantém face a todas as religiões e culturas, mas também pela atitude em relação à mulher, que trata em igualdade de valor e direitos relativamente ao homem, sendo que nas suas hierarquias altos cargos são ocupados por mulheres.

Para os seus milhões de fieis, o Imamat Ismaili Príncipe Karim al-Hussayni Aga Khan IV é um guia incontestado e muito respeitado, descendente directo de Maomé, através do seu primo Ali, o primeiro Imam, e da sua mulher Fátima, filha do Profeta.

A mais notória das características da comunidade dirigida por Aga Khan prende-se com o facto de ter um conjunto enorme de acções de natureza humanitária e conservar, em relação a elas, uma atitude completamente discreta, sem qualquer iniciativa de propaganda ou divulgação, quer de projectos em curso, quer do trabalho já feito.

A sua actividade consiste em "fazer", não em falar disso.


© PEDRO LARANJEIRA
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